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Table of Contents
                            Indice
Prefácio
Os pressupostos básicos
1. Modernismo: projeto estético e ideológico
2. Da fase heróica aos anos trinta
3. Vanguarda e diluição
4. A crítica do decênio: pressupostos para seu estudo
Retórica e alienação
1. O homem e o meio
2. O jornal e o método
3. A bricolagem, o retrato e a conversa
4. O impressionismo e o ecletismo
5. O humor e a política
6. A alienação e a crítica
Os temas da reação
1. O católico e o crítico
2. A tarefa de separação
3. Religião, Freud, revolução
4. Tradição e catolicismo
5. A história e a ordem
6. As posições políticas
A literatura subjugada
1. Indícios de uma crítica estética
2. Um conceito de engajamento
3. O choque dos projetos
A consciência da linguagem
1. As categorias da crítica
2. As poéticas da juventude
3. Psicologismo e ruptura da linguagem
4. Técnica e linguagem construída
Ética e poética
1. De um projeto a outro
2. O artista e a sociedade
3. Ética e técnica
4. A escritura e o insatisfeito
A volta do velho
1. Tempo de romance: o crítico e sua teoria
2. O romancista e sua prática: o estilo é o homem?
3. Reação ao Modernismo: a alegria confiscada
Sumário
Bibliografia
1. Críticos estudados
2. Outras obras
Índice onomástico
Sobre o autor
                        
Document Text Contents
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Os pressupostos básicos

Coleção Espírito Crítico

1930: A CRÍTICA
E O MODERNISMO

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1930: a crítica e o Modernismo

Coleção Espírito Crítico

Conselho editorial:

Alfredo Bosi

Antonio Candido

Augusto Massi

Davi Arrigucci Jr.

Flora Süssekind

Gilda de Mello e Souza

Roberto Schwarz

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1930: a crítica e o Modernismo

no poema inicial (“Eu sou trezentos...”), na diversidade técnica
das composições (desde o fragmentarismo das “Danças” à for-
ma contínua da “Louvação da tarde”), na suavidade angustiante
dos “Poemas da negra” ou na insatisfação latente dos “Poemas
da amiga”.

Em compensação, Alceu acha “notável” a profundidade do
romance deixado inédito por Jackson de Figueiredo30, que foge
certamente do “sibaritismo”, daquilo de que Oswald de Andra-
de é acusado a cada passo e nada mais é que a procura agressiva
de uma nova expressão literária. Acontece que o “sibaritismo” de
tal expressão nova ataca com muito vigor o mundo não-literário,
a vida real em seus preconceitos de hierarquia e ordem. Repre-
senta de fato uma verdade que o católico não quer ver e não quer
aceitar. Por isso suas preferências vão se dirigir a figuras como a
desse desconhecido Luiz Delgado, cujo romance Inquietos elo-
gia assim:

“O valor considerável da prosa do sr. Luiz Delgado é um

pouco semelhante ao dos poemas do sr. Augusto Schmidt —

a ausência de toda a modernidade desejada. O estilo desses in-

quietos lembra um pouco o de Julien Green e seduz pelos mes-

mos motivos. [...] A ausência de toda imagem, de todo brilho,

de todo imprevisto. A monotonia como elemento de ressalto.

Um paradoxo.

No sr. Luiz Delgado há qualquer coisa de semelhante.

Estilo sem adjetivo, que salte, sem um termo novo, sem um

regionalismo desejado. Nada, nada de bárbaro, nada de mo-

dernismo convencional. O contrário. E daí o que acho nele de

considerável. Pois cada vez mais só admito o moderno que não

30 Idem, “Esquema de uma geração”, in Vida Literária, O Jornal, 26/05/
1929.

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A literatura subjugada

pense em ser moderno. E que é o único meio de o ser de ver-

dade, sinceramente.”31

Na admissão apenas do que “não pense em ser moderno”,
o que vai é a recusa efetiva do moderno. A posição — insistimos
— tem conotações políticas, e o próprio Alceu foi capaz de per-
ceber, e explorar esse fato. No já referido artigo “Passou a hora
das coisas bonitas”, escrito em cima da Revolução de 30, seu
esforço é, não só o de pregar a necessidade de uma literatura na-
cionalmente engajada, mas também o de definir em que consis-
tiria o “engajamento”. Esse nada tem da postura irreverente dos
modernistas de “esquerda”, empenhados em revelar uma face ri-
sível da vida nacional e dispostos a destruir a solenidade enca-
sacada dos “donos-da-vida”. Pelo contrário, Alceu preza bem essa
seriedade solene e triste; por isso o desvio provocado pela poesia
de Schmidt é visto como útil e importante. O autor de Pássaro
cego ganha um vasto elogio e o qualificativo de “profeta”, por-
que “sua gravidade, sua tristeza, sua inquietação, sua renúncia ao
frívolo, ao pitoresco, seus apelos à vida calma, sua vontade de
partir, seu messianismo”32, tudo isso anunciava os acontecimen-
tos que se tramavam ocultamente e que viriam a eclodir em 30.
A ligação política/literatura é vista com clareza pelo crítico que
compreendeu — em cima da hora — os novos rumos do Mo-
dernismo; infelizmente, tal lucidez se perde nas considerações rea-
cionárias e nos caminhos de retorno que propõe.

Para encerrar essas considerações vale a pena mostrar como
a tão pregada volta à “tradição brasileira católica” e o repúdio aos

31 Ibidem.
32 Tristão de Athayde, “Uma voz na tormenta”, in Vida Literária, O Jor-

nal, 26/10/1930.

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Os pressupostos básicos

COLEÇÃO ESPÍRITO CRÍTICO

direção de Augusto Massi

A Coleção Espírito Crítico pretende atuar em duas frentes: publicar obras

que constituem nossa melhor tradição ensaística e tornar acessível ao leitor brasi-
leiro um amplo repertório de clássicos da crítica internacional. Embora a literatu-

ra atue como vetor, a perspectiva da coleção é tornar-se mais abrangente, cobrin-

do um amplo leque de diálogos com a história, a sociologia, a antropologia e as

ciências políticas.

Do ponto de vista editorial, o projeto não envolve apenas o resgate de estu-

dos decisivos mas, principalmente, a articulação de esforços isolados, enfatizando

as relações de continuidade da vida intelectual. Nosso desejo é recolocar na ordem

do dia questões e impasses que, em sentido contrário à ciranda das modas teóri-

cas, possam contribuir para o adensamento da experiência cultural brasileira.

Roberto Schwarz

Ao vencedor as batatas

João Luiz Lafetá

1930: a crítica e o Modernismo

Davi Arrigucci Jr.

O cacto e as ruínas

A sair:

Georg Lukács

A teoria do romance

Roberto Schwarz

Um mestre na periferia do capitalismo

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1930: a crítica e o Modernismo

Este livro foi composto

em Adobe Garamond pela

Bracher & Malta, com

fotolitos do Bureau 34 e

impresso pela Bartira Gráfica

e Editora em papel Pólen Soft

80 g/m2 da Cia. Suzano de

Papel e Celulose para a

Duas Cidades/Editora 34,

em abril de 2000.

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